Um mês depois, moradores de Paraisópolis veem mudança de comportamento da PM

  • 8 de janeiro de 2020
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Após um mês da tragédia na favela de Paraisópolis, moradores relatam mudança de ação da polícia militar em bailes funk. No dia 1º de dezembro, nove pessoas morreram e 12 ficaram feridas durante a dispersão do baile da DZ7, na comunidade da zona sul de São Paulo.

Ao todo, 31 policiais militares foram afastados dos serviços das ruas e são suspeitos de participação nas mortes.

Um morador da favela, que pediu para não ser identificado, contou à Jovem Pan que as pessoas passaram a filmar com mais frequência ações policiais na região. “Dia de baile eles tão acompanhando as imediações, não estão entrando mais. Antes eles esperavam começar um baile para poder invadir, jogar bomba.”

Uma mudança nos protocolos de atuação da PM foi prometida pelo governador João Doria, que mudou de posição após a repercussão da tragédia.

“Eu mesmo fiquei muito chocado quando vi as imagens de outubro deste ano, que não eram de Paraisópolis. Revisar protocolos, treinamentos e comandos para que nenhum PM haja dessa maneira. Isso é incompatível com o respeito à corporação e em respeito ao cidadão.”

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram policiais militares dando tapas, chutes e pontapés em pessoas já rendidas. As imagens são investigadas pela Corregedoria da Polícia Militar.

Para Danylo Amilcar, irmão de Denys Henrique Quirino, uma das vítimas da tragédia, o sentimento da família é de luta por Justiça. “Nós acompanhamos as investigações de perto para que todos agiram ou comandaram a ação sejam devidamente punidos. Entendemos que o que aconteceu ali foi uma ação policial planejada.”

As investigações sobre o caso ainda não foram concluídas. O que ainda não se sabe é se os policiais militares que provocaram as mortes ou se elas foram causadas por um suposto tumulto.

As versões sobre o que aconteceu no baile da DZ7 são divergentes.

Segundo testemunhas e moradores ouvidos pela reportagem, durante a dispersão do baile com bombas e balas de borracha, os policiais teriam encurralado os jovens na viela, causando as mortes.

Já os policiais militares afirmam que os tiros de dois suspeitos contra os PMs teriam causado um tumulto, fazendo com que os participantes corressem e pisoteassem uns aos outros.

Para Fernando Capano, que representa parte dos PMs envolvidos, não há como provar relação dos policiais com a morte dos nove jovens.

“Não há, segundo nós pensamos, como traçar qualquer nexo de casualidade entre a conduta dos policiais e o resultado ocorrido nessa lamentável tragédia de Paraisópolis.”

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública não se manifestou sobre o caso.

Há duas frentes de investigação. Uma corre pela Corregedoria da Polícia Militar, que apura ação dos PMs, e a outra pelo departamento de homicídios da Polícia Civil. O Ministério Público acompanha o caso.