Justiça mantém presos PMs suspeitos da morte de jovens na zona sul de SP

  • 16 de julho de 2021
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As duas vítimas foram atingidas por mais de 20 tiros cada uma durante ação policial no mês passado na capital paulista

SÃO PAULO
Alfredo Henrique


O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) decretou a prisão
preventiva, ou seja por tempo indeterminado, de três policiais militares
suspeitos da morte de dois jovens que, segundo os PMs, teriam participado de um roubo, em 9 de junho, na zona sul da capital paulista. A decisão é da última terça-feira (13).
Em junho, a Justiça Militar já havia tomado a mesma decisão, prendendo
preventivamente, no dia 13 daquele mês, os policiais André Chaves da Silva
e Danilton Silveira da Silva que aparecem, em um
vídeo gravado por celular atirando contra as vítimas. Um terceiro PM,
condutor da viatura e que testemunhou a ação, também foi detido, mas
temporariamente. Com a decisão desta terça, ele passou a ficar preso
também por tempo indeterminado.
Na ocasião da prisão da dupla de PMs, suas defesas contestaram a decisão
e disseram ao Agora que iriam trabalhar para que seus clientes
respondessem em liberdade, o que não ocorreu. Procurados nesta sextafeira (16), os advogados, incluindo a defesa do cabo Jorge Baptista Silva
Filho, o terceiro PM preso, afirmaram que irão entrar com pedidos de habeas corpus , para que os clientes respondam ao caso em
liberdade.
Segundo a decisão da juíza Letícia de Assis Bruning, da 3ª Vara do Júri,
“estão devidamente presentes”, tanto no Inquérito Policial, quanto na
denúncia do Ministério Público, “prova de materialidade e os indícios
suficientes de autoria dos acusados.”
Os dois homens mortos, de 19 e 23 anos estavam em um Chevrolet Onix
quando bateram em um Honda Fit e em um poste de sinalização no
cruzamento das ruas Rubens Gomes Bueno e Castro Verde.
Um vídeo feito com celular mostra os jovens não reagindo à abordagem
policial, nem os PMs em posição de proteção diante de qualquer tiro ou
agressão. A perícia encontrou 27 perfurações no corpo de um dos jovens e
23 no outro. Após a ocorrência, porém, os policiais afirmaram ter reagido a
uma suposta “eminente agressão.”
Com base nessa contradição, a magistrada concluiu em seu parecer que os
policiais “agindo com ânimo homicida” atiraram diversas vezes contra as
vítimas, que estavam “sem condições de oferecerem resistência,
produzindo-lhes diversos ferimentos que as mataram.”
Às defesas dos policiais a Justiça determinou dez dias de prazo para a
entrada de recursos, contados a partir da publicação da decisão.

Defesas

Responsável pela defesa do soldado Danilton Silveira da Silva, o advogado Fernando Fabiani Capano afirmou que irá protocolar um pedido de habeas corpus, pedindo a soltura do policial. “Trata-se de policial com histórico profissional muito bom, não havendo qualquer requisito para mantê-lo preso enquanto tramita o processo”, argumentou. Mariana Silvestrini, que defende o cabo Jorge Baptista Silva Filho, afirmou que irá pedir a liberdade do policial. “A defesa entende pela ausência de requisitos que autorizam a prisão preventiva”, afirmou, mencionando a presunção de inocência, prevista pela Constituição Federal.
O advogado João Carlos Campanini, defensor do sargento André Chaves da
Silva, disse que já está produzindo pedido de habeas corpus ao Tribunal de
Justiça “para restabelecer a liberdade” de seu cliente. Ele acrescentou que
irá protocolar o documento nos próximos dias.

Matéria publicada no jornal Agora SP. Para ler a reportagem diretamente pelo Portal do jornal, clique aqui.