Ex-PM condenado por megachacina teme ser morto em prisão comum, diz família

  • 8 de dezembro de 2020
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Josmar Jozino

07/12/2020 13h45Atualizada em 08/12/2020 12h56

A família do ex-policial militar Thiago Henklain, condenado a 247 anos de prisão pela maior chacina do Estado de São Paulo, ocorrida em 2015, diz temer por sua vida após ele ter sido transferido do Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte e destinado a PMs, para o CDP 3 (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, zona oeste da capital.

A mulher dele, Gabriela Henklain, gravou um áudio dramático pedindo ajuda para as autoridades e alertando que o CDP 3 de Pinheiros tem integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). Ela implora para que Thiago seja transferido para outra unidade, por temer que ele seja assassinado por presos da facção criminosa.

Segundo ela, o marido está preso no pavilhão 3, onde ficam ex-policiais, e os detentos do PCC estão no pavilhão 1, separados apenas por um portão um do outro.

O Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo) negou que tenha presos do PCC no CDP 3 de Pinheiros.

A Secretaria Estadual da Administração Penitenciária informou que Thiago foi transferido para o CDP 3 de Pinheiros em 19 de novembro deste ano e também que a unidade prisional é neutra, sem integrantes de qualquer facção criminosa. O pavilhão 3 é destinado a ex-policiais.

O advogado de Thiago, Fernando Capano, disse que a condenação de seu cliente não transitou em jugado, cabe recurso e que um novo júri pode ser marcado.

Segundo Capano, Thiago e ao menos outros quatro ex-PMs foram removidos para o CDP 3 de Pinheiros no mês passado. Para o advogado, o cliente não deve ficar preso no local, pois corre risco e deveria ser transferido para outa unidade mais segura, como a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba.

Capano explicou ainda que a remoção de Thiago foi determinada pela Corregedoria do Tribunal de Justiça Militar, após decidir que policiais expulsos da corporação devem cumprir pena em presídio comum.

Entenda o caso

Em agosto de 2015, policiais militares e um guarda-civil metropolitano foram acusados de matar 23 pessoas na Grande São Paulo. Os assassinos usavam capuz.

Seis pessoas foram mortas no dia 8 daquele mês em Itapevi, Carapicuíba e Osasco. No dia 13, outras 17 pessoas foram assassinadas e seis ficaram feridas em Osasco e Barueri.

Investigações da Polícia Civil apontaram que as vítimas foram mortas em represália ao assassinato do policial militar Admilson Pereira de Oliveira, em 8 de agosto de 2015, em Osasco, e do guarda-civil Jeferson Luiz Rodrigues da Silva, em Barueri, em 12 de agosto.

Além de Thiago, condenado pelos crimes ocorridos no dia 13 de agosto de 2015, a Justiça também condenou o ex-policial militar Fabrício Emmanuel Eleutério a 255 anos de prisão. Ambos foram expulsos da PM em 20 de julho de 2019.

Outros dois réus —um ex-PM e um guarda-civil municipal— devem ser julgados em fevereiro de 2021.

Entrevista do sócio da Capano, Passafaro Advogados Associados, Fernando Fabiani Capano, para a matéria publicada no Portal Uol. Para ler o conteúdo diretamente no Uol, clique aqui