Começa em Osasco julgamento dos acusados da maior chacina de SP

  • 19 de setembro de 2017
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Começou nesta segunda-feira (18) o julgamento de dois policiais militares e de um guarda civil acusados de 17 mortes em Osasco e Barueri, na grande São Paulo.

Na porta do Fórum de Osasco, o dia foi de lembranças para as famílias das vítimas. Dona Maria e dona Rosa perderam os filhos na chacina na noite de 13 de agosto de 2015.

“Dois anos de angústia, de tristeza, de saudade”, contou Maria José de Lima Silva, mãe do Rodrigo Lima da Silva, de 16 anos.

“Coração apreensivo e sentindo dor. A dor, porque a gente está revivendo tudo isso hoje”, afirmou Rosa Nascimento, mãe do Wilker, de 29 anos.

Foram oito ataques em um intervalo de duas horas nas cidades de Osasco e Barueri. Dezessete pessoas morreram. Só em um bar, oito pessoas foram assassinadas.

O Ministério Público acredita que a chacina tenha sido uma vingança pelas mortes, dias antes, de um policial e de um guarda civil. Três policiais militares e um guarda civil são acusados da chacina.

Nesta segunda-feira (18) começaram a ser julgados os PMs Thiago Henklain e Fabrício Eleutério, e o guarda Sérgio Manhanhã. Ainda não há data para julgamento do policial Victor Cristilder, que recorreu.

Parentes e amigos dos réus levaram faixas de apoio. Quatro homens e três mulheres formam o tribunal do júri, que vai decidir se os réus são culpados ou inocentes.

“Eles não são inocentes, muito pelo contrário, são bem culpados”, disse o promotor Marcelo Alexandre Oliveira.

“Ele não participou de nenhuma das situações da chacina, não atacou ninguém e não tinha motivos nem conluio com ninguém para poder fazer essas barbaridades”, afirmou o advogado do Fabrício Eleutério, Nilton Vivan Nunes.

“O Thiago não estava em qualquer dessas cenas dos crimes”, disse o advogado Fernando Capano.

“Foram construídas inverdades no sentido de que ele teria dado esse suposto apoio aos matadores e o que na verdade não se confirma e não se confirmou em momento nenhum”, explicou o advogado de Sérgio, Aberlado Júlio da Rocha.

A defesa e a acusação dispensaram 15 das 43 testemunhas. Foram mantidas as testemunhas apontadas como mais importantes. Uma delas não apareceu e, a pedido da defesa, a polícia foi buscá-la em casa. Isso atrasou o começo do julgamento em três horas.

Outra testemunha chegou em um carro, com a cabeça coberta e escoltada por policiais. Só assim aceitou falar. “Ninguém que presencia uma barbaridade dessa dimensão tem coragem de vir e relatar o que disse, porque o primeiro pensamento que passa na cabeça dessa pessoa é: ‘Se fizeram isso dessa maneira, podem fazer comigo’”, afirmou o promotor.

A primeira testemunha ouvida disse que há indícios de envolvimento de policiais nas mortes.

O capitão Rodrigo Elias da Silva, da Corregedoria da PM, contou o que ouviu de uma testemunha: “Ela viu o carro dos assassinos acompanhado de uma viatura e os policiais dando risada dentro da viatura”.

O julgamento pode durar até sexta-feira (22).

 

Confira a reportagem e a entrevista de Fernando Capano ao Jornal Nacional: