Banca vê alta na prática penal empresarial

  • 5 de setembro de 2016
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O Capano, Passafaro Advogados Associados se consolidou atendendo associações e sindicatos policiais, mas hoje vê oportunidade para atuar em demandas criminais no âmbito corporativo

São Paulo – Num cenário de ferramentas cada vez mais sofisticadas de investigação, como a delação premiada e o monitoramento de movimentações financeiras, o escritório Capano, Passafaro Advogados Associados está apostando no crescimento da área penal empresarial.

Um dos sócios fundadores da banca, Leonardo Passafaro, conta que as autoridades têm utilizado os novos instrumentos de investigação não só nos casos de grande repercussão, como a Operação Lava Jato, mas também em casos mais rotineiros.

“Isso pode ocorrer num caso de tráfico de drogas ou de pessoas, por exemplo, mas também num caso de falsificação de marcas. E além da delação premiada, outra coisa é o aumento da tecnologia, que permite gravações de vídeos, de escutas, o cruzamento de dados. Antes isso era algo mais restrito”, afirma.

O plano do Capana, Passafaro é aproveitar a estrutura e o capital humano que a banca já possui para perseguir o que eles consideram ser uma oportunidade de mercado. Especificamente, o objetivo é crescer no atendimento de demandas como as de crimes ambientais, tributários e outros tipos de responsabilização penal.

Por mais que esses problemas pareçam estar distantes da realidade de muitas empresas, Passafaro explica que há uma série de situações corriqueiras em que surge consequência penal. Ele cita casos como uma duplicação de rodovia que resultou em desmatamento considerado irregular pelas autoridades e até um acidente de trabalho com óbito.

Prevenção

Mesmo diante de todas as dificuldades econômicas que têm afetado as empresas, o advogado conta que o escritório tem encontrado espaço inclusive para trabalhos preventivos. “De modo geral, as empresas percebem que vale muito mais a pena atuar com planejamento do que cortar custos agora e sofrer perdas futuras.”

Com 18 anos de fundação, seis sócios e um grupo de 50 especialistas espalhados por 15 cidades do interior, o escritório paulista, até então, consolidou sua estrutura com base na atuação para várias associações e sindicatos de policiais. “É um nicho de mercado bem específico. Nós começamos com uma associação, desta passamos para uma segunda, então conseguimos um sindicato, e assim por diante.”

Na visão de Passafaro, essa trajetória garantiu à banca não apenas know-how da área penal, mas também uma estrutura de profissionais pulverizada e grande o suficiente para dar respostas rápidas às novas demandas empresariais. “É na área empresarial onde estão as maiores oportunidades hoje.”

O advogado também aponta que as perspectivas para o próximo ano são positivas para o escritório. As novas regras de financiamento de campanhas, que só permitem doações de pessoas físicas, por exemplo, seria outro fator que pode aumentar a demanda jurídica.

Roberto Dumke para o DCI.

Leonardo Passafaro (sentado, à esquerda) e os sócios do escritório
Foto: Divulgação

  • Reportagem publicada no jornal DCI