Em quatro dias, doze pessoas morreram baleadas em SP

  • 9 de maio de 2019
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Metade das vítimas foram mortas por policiais militares

por Nataly Simões qua, 08/05/2019

Nos últimos quatro dias, 12 pessoas morreram baleadas na cidade de São Paulo. O último caso ocorreu na noite de ontem (7), quando dois homens foram mortos por policiais da Rota ao tentar assaltar uma casa no bairro Jabaquara, na Zona Sul.

Na segunda-feira (6), outras quatro pessoas morreram em uma chacina no Jardim Peri Alto, na Zona Norte. Donizete de Araújo Silva, Douglas da Silva, David Gomes dos Santos e Everton Alves dos Santos estavam dentro de um táxi quando foram vítimas de disparos que, segundo testemunhas, partiram de outro carro. A polícia investiga se o crime tem relação com vingança.

 Já no domingo (5), o policial militar Fábio Oliveira Santos foi baleado após discutir e atirar em dois homens em um bar no Jardim São Luís, na Zona Sul. A região teve outra morte violenta no mesmo dia: Thiago Gabriel de Souza teria sido morto em uma troca de tiros com policiais.

Ainda no domingo, Rafael Aparecido Almeida de Souza foi baleado perto de sua casa em São Mateus, na Zona Leste, por um policial militar que alegou que o rapaz de 23 anos tentou roubar sua arma. Em Pirituba, na Zona Norte, Bruno Cosme Amorim Figueiredo e Rodrigo Eduardo Silva foram mortos após trocar tiros com a polícia.

Além dessas mortes, no sábado (4), o cabo da Rota Fernando Flávio Flores foi executado na porta de casa, em Interlagos, na Zona Sul.

 Para o advogado especialista em Segurança Pública Fernando Capano, as 12 mortes registradas em menos de uma semana devem ser vistas de maneira preocupante. “Vivemos em um país que, não tendo uma guerra civil declarada, convive com números próximos ou superiores a zonas de guerra. Portanto, levando isso em consideração, é preciso verificar se estamos com números fora da normalidade”, afirma.
Segundo Capano, a sequência de mortes também pode dar ensejo a retaliações por parte do crime organizado e das forças policiais.  “Espero, no entanto, que o lado da razão esteja com o Estado. É certo que a polícia paulista, ao perceber esse clima, agirá de maneira profissional”, pondera.

 

Leia a reportagem em que o advogado Fernando Capano foi entrevistado no Portal LeiaJá